1º lugar - Acadêmica - Maria Marlene Nascimento Teixeira Pinto

    Poesia - Carta de amor                 

 

Uma carta de amor,

jaz sobre o frio mármore da mesinha da sala...

Talvez despencada das páginas de um livro.

Linhas traçadas, numa folha esmaecida,

enrugadas pelas intempéries do tempo...Como eu!

 

Tomo-a entre as mãos, e a saudade me possui inteira!

Quanto tempo se passou?

Quanto tempo sem te ver?

Eu tento decifrar

a mensagem de um amor que ficou engessada,

em algum lugar do passado!

 

Vida vivida na plenitude primaveril!

Pensamentos  despertam, um a um...

Fecho os olhos, vou até as nuvens.

Ah, doce juventude...

Vá entender os meus devaneios!

Vá entender os caminhos trilhados,

por um pobre coração que tanto sofreu!

Ando de um lado para outro.

A carta de amor me traz tanta  inquietude.

Sorrio na incerteza

que o passado não passou,

ou talvez nós tenhamos passado,

pois já não somos mais os mesmos.

Uma lágrima se faz presente,

tento abafar os meus soluços.

Tu foste tão  especial para mim...

Quero, preciso  retroceder na linha do tempo...

Reviver cada dia da minha louca paixão de outrora!

É tão doce sonhar...

Tento... Inútil! Nada mais restou...

Nós nos  perdemos

 no tempo bom...Que não ficou!

 

2º lugar  - Acadêmico - Camões Ribeiro do Couto Filho

Poesia - Minha cantiga de amor

 

Senhora minha, oh bela senhora,

Neste dia e abençoada hora,

Dedico-lhe esta cantiga de amor.

Direção certa de meu caminho,

A ti entrego todo meu carinho,

Musa encantada de meu louvor.

 

Dos versos saídos de minh’alma,

Em uma noite de paz e calma,

Fui compondo minha cantiga.

Luz que ressurge com a alvorada,

Resplandece oh doce namorada,

Amada, amante, querida amiga.

 

Nas linhas de missiva tão singela,

Pranteio a saudade de ti, donzela,

Vertendo o que dói no meu coração.

A distância, a nos separar agora,

Aumenta ainda mais nesta hora,

Sufocando no meu peito essa paixão.

 

Senhora minha, oh quanta saudade,

Que meu coração agora invade,

Sem que essa angústia aparta.

Neste instante do meu louvor,

Símbolo do mais profundo amor,

Que segue nesta mal traçada carta.

 

3º lugar - Célia Aparecida Marques da Silva

 

Poesia  - Cartas de Amor

Nada mais belo que uma carta de amor

Escrita, em segredo, entre quatro paredes

Para que ninguém ouse conhecer seu teor

E a torne pública em quaisquer redes.

 

Ah! Se fosse revelado um amor platônico,

Impossível de ser concretizado a dois?

Quão decepcionante, quem sabe irônico,

Porque nada ficaria para depois.

 

Ah! Se fosse declarado um amor cego,

Que não vê nada além das aparências?

Seria então escancarado seu “ego”

Comprometendo suas apetências.

 

Ah! Se fosse mostrado um amor ágape,

Tão somente de ideais espirituais?

Conseguiria uma válvula de escape

Para superar os impulsos sexuais?

 

Ah! Se fosse, ao contrário, um amor eros,

De incontrolável atração física e desejo?

Transmitiria sentimentos sinceros

Ou, quem sabe, um súbito fraquejo...

 

Cartas de amor... De gestos tão puros

Que pode ser tudo, mas também nada,

Colocando o ser amado em apuros

Com sua vida amorosa queimada!