• 06/08/2026

 POLLYANA FÁTIMA GAMA SANTOS - Cadeira nº 38 da ATL - Patrono: Tharcílio Gomes de Macedo 

Prefácio da obra: Conversa Comigo? 

 

Voltando a elaborar as resenhas das obras dos colegas acadêmicos, com o intuito de ressaltar suas artes e, por conseguinte, suas produções acadêmicas, hoje a homenageada é a acadêmica Pollyana Gama cuja obra foi construída, durante o seu período de doutorado, e cujo tema é bem atual e significativo na sociedade contemporânea: a questão da inclusão.

Pollyana desenvolveu pesquisas no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC-USP/Bauru), conhecido historicamente como "Centrinho", referência nacional no atendimento a pacientes com anomalias orofaciais.

Sua investigação doutoral focou justamente na percepção de crianças e adolescentes com fissura labiopalatina sobre o ambiente e a inclusão escolar. A escuta atenta das vivências desses pacientes serviu como base não apenas para a análise acadêmica, mas também como inspiração para a construção de narrativas infantojuvenis voltadas à empatia e ao acolhimento nas escolas.

Existem perguntas que não buscam apenas uma resposta, mas um encontro. “Conversa comigo?” é mais do que o título que batiza essa obra; é um convite sereno e urgente para desarmarmos nossas certezas e aprendermos, de fato, a escutar.

Falar sobre inclusão costuma nos levar a conceitos teóricos, leis e manuais. No entanto, nessa obra, Pollyana Gama nos conduz por um caminho muito mais bonito e necessário: o do afeto e da convivência real. Ao colocar, no centro da narrativa, a trajetória de uma criança que nasce com fissura labiopalatina, a autora ilumina um universo muitas vezes invisibilizado por olhares desinformados ou pelo receio do desconhecido.

A fissura labiopalatina vai muito além de uma questão anatômica ou médica; ela atravessa o desenvolvimento da fala, a construção da identidade e o modo como o mundo a acolhe.

 Com uma sensibilidade ímpar, Pollyana desfaz estigmas e nos mostra que a verdadeira comunicação não reside na perfeição do som, mas na disposição genuína de criar pontes entre dois corações.

Este livro cumpre o papel nobre da literatura humanizadora: ele educa o olhar e amplia a nossa capacidade de empatia. Ele lembra a pais, educadores e leitores de todas as idades que incluir não é um ato de concessão, mas um exercício diário de respeito e de presença.

Aproxime-se, abra o coração e aceite o convite de Pollyana Gama: aceite conversar.

 

Por Berta@.com