• 10/12/2025

MARIA MARLENE NASCIMENTO TEIXEIRA PINTO – Cadeira nº 32 da ATL - Patrono: Darcy Albernaz 

Há muito, comecei a compor Haiku (na língua japonesa), também chamado Haicai (na língua portuguesa). É o poema mais curto do mundo. Embora, tenha alguns premiados, confesso que ainda estou aprendendo esta arte transcendental, originada no Japão, popularizado por Matsuo Bashō no século XVII. Quem escreve haicai é chamado de haicaísta.

Tento escrevê-lo, amalgamando o tradicional com o moderno do Brasil. O primeiro encerra temática bucólica, não usa verbos, adjetivos, onomatopeia, sem rima, sem título etc. É como se fosse uma fotografia, tirada no momento em que acontece. O segundo, nos dá livre arbítrio para compô-lo, podendo usar rimas (1º com 3º verso), versos curtos ou longos, sem se ater à métrica, e dando asas à imaginação.

Eu, na verdade, priorizo escrever o tradicional, mas também arrisco o abrasileirado, sem rebuscar palavras, salvaguardando as dezessete sílabas originais, recorrendo à métrica. Sou adepta ao ecletismo e à criatividade. O que importa é que possamos difundir o nosso instantâneo, dosando com um pouco de romance, emoção, imagens, desejos, sonhos, mistérios etc.

No Brasil, existem grandes poetas na composição de haicais: Paulo Leminski, Millôr Fernandes, Guilherme de Almeida e Paulo Franchetti. Um dos meus preferidos:

 

Viver é super difícil
o mais fundo
está sempre na superfície.

 

(Paulo Leminski)