REGINA CÉLIA PINHEIRO DA SILVA - Cadeira nº 14 da ATL - Patrono: Paulo Camilher Florençano
PREFÁCIO
A QUATRO MÃOS EM SOL MAIOR
“O início e o fim de qualquer atividade artística é a reprodução do mundo à minha volta através do mundo dentro de mim.”[1]
A frase adaptada por Hopper vem constantemente a nossa lembrança, quando lemos os poemas que Regina nos apresenta neste livro. Personalidade comprometida com bons sentimentos em relação ao próximo, ela aprendeu a filtrar as consequências dos acontecimentos deste mundo e a interpretá-
los com base nos conhecimentos e sentimentos de seu próprio mundo interior.
Assim,
apresenta tudo que sentiu profundamente, em relação à pandemia de covid-19 e a
tantas outras mazelas do cotidiano de todos nós.
Com
estruturas simples e objetivas, consegue nos demonstrar que é possível
sobreviver em um mundo tão complexo, em um tempo tão difícil como o que
vivenciamos hoje. Apesar de todos os percalços, temos esperança e precisamos
aprender a valorizar tudo de bom que há em nossos anseios e em nossos sonhos
que possam nos proporcionar momentos de felicidade e de comunhão com parentes,
amigos, com todos que sofrem e com todos que mantêm acesa a chama da esperança
por tempos melhores.
As
três partes do livro, Quando a vida e o amor falam, Vendo e sentindo
os impactos sociais e O sentir da pandemia do coronavírus constituem
a construção de sua mundividência, de seu entendimento dos acontecimentos e das
pessoas. Percebemos sua constante necessidade de estar em comunhão com seus
parceiros de viagem nesta vida.
Cenários
de poesia são panos de fundo de lembranças da infância, relacionamentos,
desejos de realização de sonhos, admiração por pessoas e suas personalidades,
por crianças e espetáculos da natureza. Há descrições de atitudes positivas no
percorrer da existência, de fatos corriqueiros deste contexto célere e às vezes
fechado ao nosso entendimento.
Todo
esse nevoeiro que os poetas têm diante de si, um nevoeiro que às vezes esconde
totalmente a poesia, está presente em muitos dos poemas deste livro. E isso é
bom, porque a autora sempre procura registrar momentos mágicos do mundo
poético, e as fugazes revelações de verdade que encantam a todos nós.
É
possível afirmar que, com simplicidade incrível, ela consegue deixar-se no
papel, consegue desnudar sua alma e apontar suas vontades de maneira
singular... poeticamente.
Seu
segredo, acreditamos, está em sua abertura para lobrigar as belezas do mundo,
da natureza, dos relacionamentos e de todos os seres que habitam este planeta.
Ao
ler este livro, é possível conhecer mais um pouco da personalidade de uma
pessoa que se extasia diante de tudo e que aprendeu como registrar as fugidias
manifestações de momentos poéticos.
Leitor,
visite estes poemas sem obedecer à ordem das páginas. Aleatoriamente, para
perceber que por trás de todos eles está uma personalidade que encanta e que
justifica o fato de que todos nós, seus amigos, a admiramos incondicionalmente.
Existem
poetas que buscam registrar a poesia por meio de palavras que mantêm, há
séculos, grande carga poética, como lua, mar, vento, neblina, verde, azul,
nuvem... Existem também aqueles que vislumbram a poesia e buscam registrá-la em
moldes há séculos criados e aperfeiçoados, conforme rígidos padrões sonoros
(metrificação, rima) e geométricos (estrofes), como portais para o mundo dos
nefelibatas.
E
existem poetas como a Regina, que registra tudo que quer apenas sendo quem é:
simples, objetiva, sincera, sem grandes acrobacias, mas sempre com sinceridade,
amor e paixão pelas pessoas que ama e admira, pelo mundo que reconhece como
maravilhoso e merecedor de esperanças.
Obrigados,
Regina. Ler seu livro possibilitou-nos viajar por nossos próprios entendimentos
do que seja poesia, do que seja poetar e, principalmente, conhecer você ainda
mais, vislumbrar a beleza de seus pensamentos, sonhos e amor pela vida.
Dos
bons momentos a serem vivenciados, durante a leitura dos textos de Regina,
aconselhamos ao leitor que se detenha em alguns poemas que encerram seriíssimas
indagações, posicionamentos que exigem explicações, reflexões. Como exemplos:
A
pergunta
Aprendizado
Reinventando
a vida.
Leia,
leitor, estes e muitos outros poemas da autora bem devagarinho, leia novamente,
se possível em voz alta ou sussurrando, para constatar que você já teve
sensações e vislumbres parecidos com os que ela nos apresenta.
Boa
leitura.
Johel Abdallah (Membro Honorário da Academia Taubateana
[1] O pintor norte-americano Edward Hopper, para
conceituar sua atividade artística, recorre ao filósofo Ralph Waldo Emerson e a
uma frase de Johan Wolfgang Goethe, também adaptada por Emerson. (RENNER, Rolf
Günther, HOPPER, Deutschland – Köhl: Taschen, 2001. Tradução: Casa das
Línguas, Ltda.)
DA CONTRACAPA
O QUE ME TOCA
“Delicadeza, voo de garça branca que parte do pontilhão de um trapiche e, com suaves batidas de asas, se afasta no horizonte para nunca mais ser vista. Um colibri que se detém por um segundo infinito sobre a flor perfumada e, na agitação da sociedade humana frenética em volta, parece filosofar com olhinhos de uma criança recém-nascida. Microfísica do voo, simples-sublime, de dentro para fora e de fora para dentro do Ser, antes da profanação. Um toque de classe, com classe, essencial, é esta obra da magnífica poeta Regina Célia Pinheiro da Silva.”
Nicodemos Sena
