• 06/03/2026

 JOSÉ EUGENIO GUISARD FERRAZ – Cadeira nº 29 da ATL – Patrono: Cônego José Luiz Pereira Ribeiro

                     PREFÁCIO

 

Tenho um novo amigo, José Eugenio, que com este livro pretende dar seus primeiros passos no campo de registros poéticos, fazendo isso com segurança, como tudo o que fez e faz em sua vida, que é plena de grandes realizações. Inicia aqui, creio eu, o registro de suas incursões no campo da arte, o conhecimento que adquiriu na literatura e em suas inúmeras viagens pelo mundo, ao visitar sítios históricos, museus e centros culturais.

Esse novo amigo, autor já de alguns livros, apresentou-me a cópia de seu projeto, “Primeiros Passos”. Para mim, uma honra, ser um dos primeiros leitores desta sua nova realização. Li seus textos e senti necessidade de conhecer melhor o autor. Para isso, li um livro que encontrei na estante de minha filha, Rachel, autografado por ele, “Memórias de um menino de Taubaté”.

“Em Primeiros passos”, José Eugenio busca aplicar seus conhecimentos de produção literária e de teoria da literatura, e também tudo que leu recentemente sobre o assunto. E faz isso muito bem, principalmente porque os assuntos que demandaram seu esforço em versejar conforme os esquemas rímicos, estróficos e métricos, acompanham sua acurada observação durante suas viagens a vários países e em sua estadia em alguns deles.

Em outra seção do livro, comenta, em heptassílabos, algumas das principais obras exibidas nesses museus, e essa sua iniciativa será de agrado dos leitores que também admiram as grandes produções artísticas internacionais. Além disso, as descrições das obras são muito didáticas; portanto, úteis para os que não conhecem algumas delas. As estrofes que apresentam as descrições e os comentários parecem-me que constituem pequenas aulas para estudantes e pessoas que buscam informações sobre arte.

Dentre os passeios que promove, José Eugenio, em quadras também de versos de sete sílabas poéticas, apresenta valiosos comentários sobre os principais períodos da arte pictórica mundial. Acrescente-se que ele também aponta vários ícones da escultura, como Michelangelo, Rodin e Camille Claudel.

Em “Passeio com os presidentes”, elaborou uma galeria de todos que, desde sua juventude, foram presidentes do Brasil. Novamente, quadras com versos heptassílabos revelam sua interpretação das características e atuações de cada um deles e apontam o entendimento da população sobre a importância das posturas adotadas por esses indivíduos que ocupam uma posição que deve ser plenamente neutra, em relação a anseios pessoais e políticos.

Em “Um passeio em Taubaté” orienta o leitor, apontando-lhe prédios que constituem o patrimônio da cidade. Cada lugar e cada prédio recebem informações históricas e descrições, iluminadas pela poética luz do amor de Eugenio por sua terra natal.

As seções são antecedidas por alguns poemas de José Eugenio, poemas que denotam percepção poética e manejo das premissas da arte de versejar, inclusive ao produzir um soneto em versos decassílabos, com esquema rímico definido e vocabulário elegante.

O livro apresenta outras incursões no mundo da representação poética: poemas livres, trovas e haicais. Parece ao leitor que ele busca vários caminhos para dar seus primeiros passos. Isso porque “enxerga” poesia, reconhece esses momentos mágicos que nos visitam vez em quando, para que acreditemos na beleza, na profundidade dos sentimentos que nos assaltam, repentinamente, diante de um bosque, à noite, iluminado pela lua ou por pirilampos, diante das reações de uma mãe ao ver a vida dirigindo os passos de seus filhos... É. É isso mesmo. A poesia revela-se a todos os humanos, mas dificilmente é captada, registrada, porque o afortunado que a vê, cheira, ou toca talvez não tenha os recursos necessários para captá-la e mostrá-la aos amigos e a todos que sabem que ela existe.

Alguém me disse, uma vez, não sei quando, não me lembro onde, que a beleza existe e que nós não “damos conta” de vê-la sozinhos. Precisamos chamar outras pessoas, ansiamos compartilhar sua aparição na natureza, nos outros seres humanos, na vida, na morte, nos céus, nas planícies, nos rios...

Quando penso nisso, sempre me lembro de Vinicius de Morais: Olha que coisa mais linda!

É por tudo isso que os poetas são importantes, porque, agraciados pelos deuses, conseguem registrar situações, momentos, cenários. E é por isso também que devem ser conhecidos como aqueles que “dizem por nós”, aqueles que conseguem descrever sentimentos que vivenciamos, mas que se nos apresentam como “indizíveis”, “inenarráveis”.

Daí, para concluir estas minhas digressões, quero convidar o leitor a conhecer “Os primeiros passos” do nosso amigo José Eugenio, que estão muito seguros. Ele está caminhando muito bem nas veredas da poesia. Isso porque os assuntos que escolheu têm a ver com sua própria história, com sua terra natal, com suas andanças pelo mundo e com tudo que nele aprendeu e continua aprendendo.

Boa leitura!

 

Johel Abdallah

Membro Honorário da Academia Taubateana de Letras