JOSÉ EUGENIO GUISARD FERRAZ – Cadeira nº 29 da ATL – Patrono: Cônego José Luiz Pereira Ribeiro
PREFÁCIO
Tenho
um novo amigo, José Eugenio, que com este livro pretende dar seus primeiros
passos no campo de registros poéticos, fazendo isso com segurança, como tudo o
que fez e faz em sua vida, que é plena de grandes realizações. Inicia aqui,
creio eu, o registro de suas incursões no campo da arte, o conhecimento que
adquiriu na literatura e em suas inúmeras viagens pelo mundo, ao visitar sítios
históricos, museus e centros culturais.
Esse
novo amigo, autor já de alguns livros, apresentou-me a cópia de seu projeto,
“Primeiros Passos”. Para mim, uma honra, ser um dos primeiros leitores desta
sua nova realização. Li seus textos e senti necessidade de conhecer melhor o
autor. Para isso, li um livro que encontrei na estante de minha filha, Rachel,
autografado por ele, “Memórias de um menino de Taubaté”.
“Em
Primeiros passos”, José Eugenio busca aplicar seus conhecimentos de
produção literária e de teoria da literatura, e também tudo que leu
recentemente sobre o assunto. E faz isso muito bem, principalmente porque
os assuntos que demandaram seu esforço em versejar conforme os esquemas
rímicos, estróficos e métricos, acompanham sua acurada observação durante suas
viagens a vários países e em sua estadia em alguns deles.
Em
outra seção do livro, comenta, em heptassílabos, algumas das principais obras
exibidas nesses museus, e essa sua iniciativa será de agrado dos leitores que
também admiram as grandes produções artísticas internacionais. Além disso, as
descrições das obras são muito didáticas; portanto, úteis para os que não
conhecem algumas delas. As estrofes que apresentam as descrições e os
comentários parecem-me que constituem pequenas aulas para estudantes e pessoas
que buscam informações sobre arte.
Dentre
os passeios que promove, José Eugenio, em quadras também de versos de sete
sílabas poéticas, apresenta valiosos comentários sobre os principais períodos
da arte pictórica mundial. Acrescente-se que ele também aponta vários ícones da
escultura, como Michelangelo, Rodin e Camille Claudel.
Em
“Passeio com os presidentes”, elaborou uma galeria de todos que, desde sua
juventude, foram presidentes do Brasil. Novamente, quadras com versos
heptassílabos revelam sua interpretação das características e atuações de cada
um deles e apontam o entendimento da população sobre a importância das posturas
adotadas por esses indivíduos que ocupam uma posição que deve ser plenamente
neutra, em relação a anseios pessoais e políticos.
Em
“Um passeio em Taubaté” orienta o leitor, apontando-lhe prédios que constituem
o patrimônio da cidade. Cada lugar e cada prédio recebem informações históricas
e descrições, iluminadas pela poética luz do amor de Eugenio por sua terra
natal.
As
seções são antecedidas por alguns poemas de José Eugenio, poemas que denotam
percepção poética e manejo das premissas da arte de versejar, inclusive ao
produzir um soneto em versos decassílabos, com esquema rímico definido e
vocabulário elegante.
O
livro apresenta outras incursões no mundo da representação poética: poemas
livres, trovas e haicais. Parece ao leitor que ele busca vários caminhos para
dar seus primeiros passos. Isso porque “enxerga” poesia, reconhece esses
momentos mágicos que nos visitam vez em quando, para que acreditemos na beleza,
na profundidade dos sentimentos que nos assaltam, repentinamente, diante
de um bosque, à noite, iluminado pela lua ou por pirilampos, diante das reações
de uma mãe ao ver a vida dirigindo os passos de seus filhos... É. É isso mesmo.
A poesia revela-se a todos os humanos, mas dificilmente é captada, registrada,
porque o afortunado que a vê, cheira, ou toca talvez não tenha os recursos
necessários para captá-la e mostrá-la aos amigos e a todos que sabem que ela
existe.
Alguém
me disse, uma vez, não sei quando, não me lembro onde, que a beleza existe e
que nós não “damos conta” de vê-la sozinhos. Precisamos chamar outras pessoas,
ansiamos compartilhar sua aparição na natureza, nos outros seres humanos, na
vida, na morte, nos céus, nas planícies, nos rios...
Quando
penso nisso, sempre me lembro de Vinicius de Morais: Olha que coisa mais linda!
É
por tudo isso que os poetas são importantes, porque, agraciados pelos deuses,
conseguem registrar situações, momentos, cenários. E é por isso também que
devem ser conhecidos como aqueles que “dizem por nós”, aqueles que conseguem
descrever sentimentos que vivenciamos, mas que se nos apresentam como
“indizíveis”, “inenarráveis”.
Daí,
para concluir estas minhas digressões, quero convidar o leitor a conhecer “Os
primeiros passos” do nosso amigo José Eugenio, que estão muito seguros. Ele
está caminhando muito bem nas veredas da poesia. Isso porque os assuntos que
escolheu têm a ver com sua própria história, com sua terra natal, com suas
andanças pelo mundo e com tudo que nele aprendeu e continua aprendendo.
Boa
leitura!
Johel
Abdallah
Membro
Honorário da Academia Taubateana de Letras
